A ovinocultura de corte é uma das atividades mais lucrativas da pecuária brasileira. O preço da carne de cordeiro — entre R$40 e R$80 o quilo nos cortes nobres — é um dos mais altos entre todas as carnes. Com o rebanho brasileiro passando de 20 milhões de cabeças e demanda que cresce ano a ano, criar ovelhas é uma oportunidade real para pequenos, médios e grandes produtores.
Neste guia, você vai conhecer as principais raças de ovelha, entender qual é melhor para cada região e objetivo, aprender sobre instalações, manejo e custos, e descobrir quanto pode lucrar. Inclui calculadora de lucro gratuita.
As raças de ovelha são divididas em três grupos: raças de corte (produção de carne), raças leiteiras e raças de lã. No Brasil, o foco da ovinocultura é carne. Conheça as principais:
Origem: África do Sul (cruzamento Dorset × Somalis). Pode ter cabeça preta (Dorper) ou branca (White Dorper). É a raça que mais cresce no Brasil. Destaques: excepcional adaptação ao clima tropical, altíssima taxa de reprodução, boa habilidade materna, ganho de peso rápido (200-300 g/dia em cordeiros), não precisa de tosquia (pêlo curto), rústica e fácil de manejar. Macho adulto: 100-120 kg. Fêmea: 70-90 kg. Preço de matriz: R$1.500-2.500. Preço de reprodutor: R$3.000-5.000+.
Origem: Bahia, Brasil. Raça deslanada (pêlos curtos e sedosos) de dupla aptidão (carne e pele). A raça mais difundida no Nordeste e Centro-Oeste. Destaques: altíssima rusticidade, resistência a parasitas, adaptação ao semiárido, boa prolificidade. Macho adulto: 70-80 kg. Fêmea: 50-60 kg. É a base materna ideal para cruzamentos com raças terminadoras como Dorper, Texel e Ile de France. Preço de matriz: R$500-1.200. Preço de reprodutor: R$1.500-4.000.
Origem: Ilha de Texel, Holanda. Corpo compacto em formato de paralelepípedo, extremamente musculoso. Destaques: maior rendimento de carcaça entre todas as raças (55-60%), carne magra com pouca gordura, excelente conformação. Macho adulto: 100-130 kg. Fêmea: 70-90 kg. Ideal para clima temperado (Sul e Sudeste). É raça lanada — precisa de tosquia. Muito usada como terminadora em cruzamentos com Santa Inês. Preço de matriz: R$800-2.000.
Origem: França. Raça de grande porte, musculosa, com lã curta e branca. Destaques: precocidade excelente, carne de alta qualidade com boa cobertura de gordura, docilidade. Cordeiros atingem peso de abate (35-40 kg) em 4-5 meses. Macho adulto: 100-140 kg. Fêmea: 70-90 kg. Muito usada em cruzamentos no Sul e Sudeste. Preço de matriz: R$1.000-2.500.
Origem: Inglaterra. Cara e pernas pretas, corpo coberto de lã branca. Uma das maiores raças de corte. Destaques: alto ganho de peso, boa conversão alimentar, carne marmorizada. Macho adulto: 110-150 kg. Fêmea: 80-100 kg. Exige clima mais ameno. Popular no Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul e Paraná. Preço de matriz: R$1.200-3.000.
Origem: região de Lacaune, França. A raça mais usada para produção de leite de ovelha no mundo — é o leite que produz o famoso queijo Roquefort. Destaques: produz 200-300 litros de leite por lactação, com alto teor de gordura e proteína. Também tem bom rendimento de carcaça. Crescendo no Brasil para produção de queijos artesanais premium. Preço de matriz: R$2.000-5.000.
Origem: Espanha. A raça mais importante para produção de lã fina no mundo. Lã com diâmetro de 18-24 mícrons (ultrafina). Destaques: produz 4-6 kg de lã por tosquia, muito valorizada na indústria têxtil. No Brasil, é criada principalmente no Rio Grande do Sul. Peso menor que raças de corte (60-80 kg os machos). Mercado de lã é mais restrito que o de carne no Brasil.
Origem: Ceará, Brasil. Raça nativa deslanada de pequeno porte (30-40 kg). Pelagem vermelha ou branca. Destaques: extrema rusticidade, altíssima resistência a parasitas e ao calor, boa prolificidade (frequente parto gemelar), pele de alta qualidade (valorizada para couro). Ideal para sistemas extensivos no semiárido. Carne saborosa, valorizada na gastronomia regional.
| Raça | Peso macho | Aptidão | Clima ideal | Preço matriz |
|---|---|---|---|---|
| Dorper | 100-120 kg | Corte | Tropical/subtropical | R$1.500-2.500 |
| Santa Inês | 70-80 kg | Corte/pele | Tropical/semiárido | R$500-1.200 |
| Texel | 100-130 kg | Corte | Temperado/subtropical | R$800-2.000 |
| Ile de France | 100-140 kg | Corte | Temperado/subtropical | R$1.000-2.500 |
| Suffolk | 110-150 kg | Corte | Temperado | R$1.200-3.000 |
| Lacaune | 80-100 kg | Leite/corte | Temperado/subtropical | R$2.000-5.000 |
| Merino | 60-80 kg | Lã | Temperado | R$800-1.500 |
| Morada Nova | 30-40 kg | Corte/pele | Tropical/semiárido | R$200-600 |
Ovelhas são animais relativamente simples de manejar e não exigem instalações sofisticadas. O essencial é proteção contra predadores, chuva e sol forte.
| Estrutura | Especificação |
|---|---|
| Aprisco (galpão coberto) | 1,5-2,0 m² por ovelha adulta |
| Piquete (pasto) | 8-12 ovelhas por hectare (pastagem boa) |
| Cerca | Tela campestre 7/40/0 ou cerca elétrica (4 fios) |
| Comedouro | 30-40 cm linear por animal |
| Bebedouro | 1 para cada 20-25 ovelhas |
| Pedilúvio | Para prevenção de pododermatite |
| Sala de manejo | Para vacinação, vermifugação e tosquia |
O lucro na ovinocultura vem principalmente da venda de cordeiros para abate. A carne de cordeiro é uma das mais valorizadas do Brasil.
| Produto | Preço médio |
|---|---|
| Cordeiro vivo (para abate, 35-40 kg) | R$12-18/kg vivo |
| Carcaça de cordeiro (inteira) | R$35-50/kg |
| Cortes nobres (pernil, carré, paleta) | R$50-80/kg |
| Ovelha de descarte | R$8-12/kg vivo |
| Reprodutor jovem | R$1.500-5.000/cabeça |
| Item | Valor |
|---|---|
| Matrizes | 50 ovelhas |
| Cordeiros/ano (1,3 partos × 1,2 crias) | 78 cordeiros |
| Cordeiros vendidos (10% mortalidade) | 70 cordeiros |
| Peso médio venda (35 kg × R$15/kg) | R$525/cordeiro |
| Receita anual | R$36.750 |
| Custos (ração, sanidade, mão de obra) | R$18.000/ano |
| LUCRO ANUAL | R$18.750 |
| Lucro mensal | R$1.562/mês |
Use a calculadora abaixo para simular com seus números:
Simule o lucro anual da sua ovinocultura
* Valores estimados. Depende de genética, manejo, região e mercado.
O principal desafio sanitário na ovinocultura são os parasitas gastrointestinais (vermes). Ovelhas são muito sensíveis a verminose, especialmente em sistemas a pasto.
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